Adestramento Inteligente Rio, por Reginaldo Ribeiro
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Quando se educa um cão com AMOR, é carinho que se recebe dele.
 

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Algumas Coisas em Que se Pensar Antes de Dar um Cão Para Um Idoso.

22/11/2013


Uma situação triste, que ocorre em muitas, se não na maioria das famílias é que, em dado instante, um ou alguns dos seus membros mais velhos acabam ficando sozinhos por diferentes circunstâncias. Neste instante, muitas vezes, algum parente (filhos, netos ou outros), diante da impossibilidade do idoso viver em família, resolve presenteá-lo com um cão, para lhe fazer companhia. E aí, ao invés de uma solução, cria-se um problema. Talvez, muitos que leiam este texto não vão compreender o que eu quero dizer ou até me achar cruel. Mas o que eu vou dizer aplico também a mim, além de ter um exemplo na minha própria família, além dos que encontro quando me chamam para adestrar o cão de um idoso.

Por melhor que seja a intenção das pessoas da família, muitas não pensam antes de escolher um companheiro para o seu(s) idoso(s). A coisa já começa errada quando muitos escolhem um filhote, pelo preconceito sem sentido de achar que um cão adulto ou idoso não pode aprender. Errado! Enquanto um cão está vivo, ele é capaz de aprender! Apesar de, naturalmente, um filhote, em geral, ter mais facilidade para aprender, que um cão mais velho. Porém, uma desvantagem de se dar um filhote para uma pessoa idosa é que os filhotes tem muito mais energia para gastar que um cão adulto ou idoso e, na maioria das vezes, a pessoa idosa não vai conseguir atender a esta necessidade do filhote pelo próprio cansaço e problemas de saúde que surgem naturalmente com a idade. Isto vai causar problemas de comportamento do filhote, como automutilação, destruição de objetos da casa, excesso de latidos e até uma maior dificuldade para controlar as mordidas por brincadeira.

Um outro fator é que, seja filhote ou adulto, o idoso terá que educar o seu novo cão para que ele o obedeça e se adapte às rotinas da casa. Para isso, ele terá que ter paciência para educá-lo. Mesmo que ele tenha ajuda de outras pessoas da família para isso, ele será o principal responsável, se ele viver sozinho com o cão. E, amigos, todos sabemos que, com o avançar da idade, não é só a nossa disposição física que diminui, como também a paciência para muitas coisas e, para se educar um cão, além do amor e dedicação, paciência também é fundamental. Agora cito até um exemplo pessoal: minha mãe morava sozinha desde 2001. Em 2006, (na época eu ainda não adestrava), minha irmã decidiu dar a ela uma cadelinha de três meses, que tinha sido abandonada no trabalho dela. Apesar de a minha mãe, na época com 66 anos, ter gostado da cadelinha, não teve paciência para educa-la e, três semanas depois, ela veio se juntar às minhas outras filhas caninas. Para sorte dela, eu e minha irmã pudemos ficar com ela. Muitas pessoas na mesma circunstância abandonariam o cão, como quem se desfaz de um objeto quebrado.

O problema pode ser maior se, além do familiar optar por dar um filhote, escolher um de raças de grande porte e/ou que tem grande necessidade de atividades físicas (brincadeiras e passeios) para gastar energia. Aí, além das dificuldades de atender à maior necessidade de atividades de um filhote, o idoso terá mais dificuldade de manipular o cão, pelo tamanho dele e de sua natural fragilidade física. Imaginem um idoso, com dificuldade para se manter em pé, tentar evitar, por exemplo, que um Labrador ansioso e cheio de amor para dar, pule nele. Passear, então, dependendo do tamanho do cão, será tarefa praticamente impossível e os problemas devido à falta de atividade do cão surgirão. Mesmo que a pessoa contrate um adestrador (falo isso por experiência própria com clientes), vai demorar um pouco até que ele tenha total controle sobre o cão e, até obtê-lo, ele pode se machucar várias vezes. Muitos destes donos não terão paciência e disposição física para esperar que o cão seja educado e, aí, mais cães podem ser descartados nas ruas ou ONGs superlotadas, se não tiverem a sorte de encontrar outro dono. Eu falo isso porque já vi várias vezes, e não só com idosos, pessoas se arrependerem de ter comprado ou adotado um cão que não era compatível com o seu perfil.

Então, se você quer dar um cão para fazer companhia a um idoso da sua família, pense em escolher um cão de uma raça (ou vira-lata) de pequeno porte; de preferência, menos ativo e de comportamento mais calmo e que não tenha um perfil dominante (uma das vantagens de se adotar um cão adulto ou idoso é que se pode conhecer bem a personalidade dele, que já está formada) e, melhor ainda, se for um cão mais velho, de uma idade mais compatível com a do idoso. Vou explicar e aí, talvez, muitos me acharão cruel, mas penso o mesmo para mim: quando eu falo isso, estou pensando também no bem-estar do cão, pois, em geral, quando se dá um filhote ou um cão mais novo para um idoso, dependendo da idade e saúde deste, há grandes chances de o cão ter mais tempo de vida do que ele. Será que, quando ele partir, haverá alguém na família disposto a cuidar dele?! Uma boa alternativa de pet para um idoso, levando em conta tudo o que eu falei acima, pode ser um gato, que é um animal mais independente e exige menos esforço para a sua educação, salvo, ás vezes, alguns probleminhas pontuais.

Pensem a respeito e procurem entender que a minha intenção ao escrever este texto foi pensando tanto no bem das pessoas envolvidas, como dos cães. OK?

Um abraço,

Reginaldo Ribeiro.


 
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